A devoção interior deve corresponder ao estado de vida.
Vivemos um momento da história em que o acesso à informação chega facilmente a todos, está literalmente na palma das mãos, através do celular, livros, computador. Mas ao desempenhar o trabalho de formação, mentorias e cursos para mulheres vejo o quanto elas se sentem agradecidas por esses momentos de esclarecimento e orientação para as suas vidas. Há uma grande carência disso em muitos meios que supervalorizam a experiência e as sensações emocionais, sem oferecer os fundamentos da fé e da direção espiritual.
O profeta Oséias diz: “porque o meu povo se perde por falta de conhecimento” (Os 4,6).
São Francisco de Sales ensina em sua clássica obra Filotéia, que significa “amigo de Deus”, que a devoção interior deve corresponder ao estado de vida da pessoa, condizente à sua circunstância real e não sendo contrário a ela.
Ele questiona como a prática da devoção pode ser louvável quando destoa da vida como um todo. Seria possível um bispo querer viver como um cartucho, tendo um chamado pastoral diferente? E pessoas casadas pensarem numa estrutura de vida desprendida como a dos freis capuchinhos? E por aí vai.
“Não seria ridícula uma tal devoção, extravagante e insuportável? Entretanto, é o que se nota muitas vezes, e o mundo, que não distingue, nem quer distinguir a devoção verdadeira da imprudência daqueles que a praticam desse modo excêntrico, censura e vitupera a devoção, sem nenhuma razão justa e real. Não, Filotéia, a verdadeira devoção nada destrói; ao contrário, tudo aperfeiçoa. Por isso, caso uma devoção impeça os legítimos deveres da vocação, isso mesmo denota que não é uma devoção verdadeira.”
A uns a ferramenta de santificação será uma e a outros será uma ferramenta diferente. A via será sempre a porta estreita do Evangelho e do ensinamento autêntico da Igreja.
Para isso tenhamos os olhos fitos na Lebre, que é Cristo, para não O perdemos de vista em nossa jornada!
“Aspiras à devoção, Filoteia, porque a fé te ensina ser esta uma virtude sumamente agradável à Majestade divina.”
São Francisco de Sales